Arquivo para a categoria 'High Definition'

21
fev
09

“Rio Congelado” (2008)

Título original: “Frozen River”
Título sugerido: “Inverno Na Alma”

A diretora estreante Courtney Hunt assina roteiro e direção neste drama glacial sobre maternidade, pobreza e segregação cultural. A veterana Melissa Leo encabeça o pequeno elenco, no papel de uma mãe abandonada pelo marido e deixada às traças com dívidas, dúvidas, valores arruinados e hipotecas. Misty Upham divide a tela com Melissa no papel de Lila, a representante da tribo dos Moicanos, mas longe de ser a última.

A balconista Ray Eddie vive como pode com sua família no interior norte do estado de Nova York, próximo às reservas indígenas e à fronteira canadense. Viciado em bingo, seu marido não pensa duas vezes antes de levar todas as economias da família embora e bater cartela mundo afora, deixando Ray para lutar sozinha pela sobrevivência da família e pela educação dos dois filhos; um adolescente maduro demais para sua idade e um garotinho de cinco anos que não deixa esfriar coração de mãe alguma.

Às vésperas de perder a casa mais espaçosa que prometera aos filhos, Ray encontra o carro do marido num bingo indígena, e segue a desgramada que o dirige. Após adentrar a reserva dos Moicanos, Ray descobre que Lila, ladra do carro, nunca conheceu seu marido. Numa empacação de sobrevivência mútua e movidas pela ferocidade materna, as duas começam de imediato a ir no sangue da outra e Ray acaba sendo persuadida por Lila a entrar no contrabando na fronteira canadense. O problema é que, pela estrada, é impossível fugir da polícia.

Felizmente, o grande rio que separa os países permanece congelado.

Lado A: Poucos dramas conseguem acertar a mão na depicção do frio como personagem crucial da trama.
Lado B: Ray & Lila deixam Thelma & Louise parecendo reclamonas destrambelhadas.

Resultado:

Faz frio o filme inteiro, por todo o filme, em cada cena, em cada olhar. Na trilha, na foto, no cenário, nas lágrimas, na angústia. Melissa Leo é a escolha absoluta e indiscutível para o papel, e o jovem Charlie McDermott arranca surpresas no papel do filho adolescente de Ray. Pelo viés da maternidade, Courtney Hunt guia essa história de ilegalidade, desespero e abandono numa solidão dilacerante, num compasso que parece estar milhas além da melancolia.

Assino este post com o coração abaixo de zero.

Veredicto: 5/5 jóinhas.
5/55/55/55/55/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

21
fev
09

“Rumba” (2008)

Título original: “Rumba”
Título sugerido: “Para Bom Entendedor…”

A dupla de comediantes Abel et Gordon, formada pelo ator belga Dominique Abel e pela atriz canadense Fiona Gordon marca o olhar de qualquer um pela pungência de sua esquisitice. Altíssimos, magrelos, desconjuntados e com uma forte veia clown, a dupla se juntou a Bruno Remy para dirigir e estrelar “Rumba”.

A história dessa comédia essencialmente pantomímica é muito simples: um casal de professores de escola infantil, normótico e absolutamente treta-free, exercita sua densa paixão pelo ritmo caribenho e se decide se inscrever em mais um campeonato de dança nas suas horas vagas. Acontece que, sem dar um pio, e usando até a última gota de seu talento circense e de artes do corpo, este casal sofre.

Uma noite voltando para sua cidade, Dominique e Fiona – mesmos nomes dos seus intérpretes – sofrem um terrível acidente de carro para salvar um suicida que esperava a morte no meio da estrada. Sem cerimônia, Fiona perde logo uma perna – mas não a simpatia – e Dominique perde a capacidade de reter memória recente, mas não perde a disposição de continuar tentando. A prisão em seus novos corpos e a vontade de continuar dançando rumba rendem seqüências geniais, e mantêm a chama do casal acesa após sua trágica separação.

Lado A: Dom e Fiona são capazes de extrair as mais diversas reações até estáticos e mudos.
Lado B: As tiradas visuais, insinuações e malícia dão um show à parte.

Resultado:

Extremamente confuso e esquisito de se compreender, com vários momentos arrastados sem perder a peculiaridade, “Rumba” é um gênero muito peculiar de comédia muda, coreografia, teatro e crítica brilhante, com sacada atrás de sacada e uma direção de arte impecável. Em alguns momentos parece beirar a ambience de filme de arte, e a compreensão da história é um jogo paralelo de interpretação altamente subjetiva. A dança, o corpo e o conformismo otimista são a receita dos diretores e atores para contar uma estranha história de um estranho casal apaixonado.

Mesmo que não seja um pelo outro.

Veredicto: 4/5 jóinhas.
4/54/54/54/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

17
fev
09

“O Lutador” (2008)

Título original: “The Wrestler”
Título sugerido: “Carneiro de Deus”

Também sai pérola do lixo; do submundo da luta-livre americana e de toda a subcultura dos subprodutos white trash americanos, surge uma história impressionante. Com roteiro de Robert D. Siegel e direção e produção do mesmo Darren Aronofsky de “Requiem Para Um Sonho”, “O Lutador” ganha o sopro de vida de três nomes famosos que já lidaram de perto com o fracasso: Marisa Tomei, Evan Rachel Wood… e Mickey Rourke.

Numa tradução bem porca, o fictício ícone da luta livre dos anos 80, Robin Ramzinski, conhecido como “THE RAM”, é chamado de Randy “O CARNEIRO” Robinson, e tão rápido quanto nos créditos de abertura, vinte anos passam num piscar de olhos. Pra começo de conversa Mickey Rourke já merece um Oscar por adequação física brutal e absoluta para o papel: é indubitável que o cara sabe exatamente do que ele tá falando. Jogue na salada Evan Rachel Wood como uma adolescente mega enfurecida e Marisa Tomei mostrando teta pra caralho, sem trocadilhos, e você tem aí um plat du jour só com as especialidades da casa.

Randy coleciona os louros de sua carreira com cheiro de verniz, e acaba se tornando uma paródia de si mesmo na luta para continuar sobrevivendo com um pingo de dignidade. Vivendo uma vida medíocre sem tirar o pé do acelerador, não demora para ele se perceber velho, caído, sem o amor da filha, e apaixonado por uma stripper. A grande honra do cara? Não reclamar. É a união da dor física com a dor emocional e a resistência às restrições e sacanagens da vida que fazem do personagem de Mickey Rourke um marco na história dos dramas de herói.

Lado A: Marisa Tomei deliciosamente soberba.
Lado B: Mickey Rourke no ringue é de tirar o fôlego.

Resultado:

Fosse pelo próprio “Requiem Para Um Sonho” ou por algum feeling do poster com o Mickey Rourke, aqui se consagra a noção, o bom senso e o tato de Darren Aronofsky. A idéia de ir além da abordagem costumeira da vida medíocre e degradada passando pela rotina e valorizando os lampejos das almas apagadas é maravilhosa. Tudo condiz com tudo, o filme realmente mostra a que veio, e foge como o diabo da cruz de tudo que é previsível, careta ou batido em filmes de herói. A trilha sonora é de um bom gosto mais do que cabível, as seqüências de luta fantásticas, e mais importante de tudo: a alma sensível e transparente de um ogro em decadência.

De deixar o resto na lona.

Veredicto: 5/5 jóinhas.
5/55/55/55/55/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

16
fev
09

“O Casamento de Rachel” (2008)

Título original: “Rachel Getting Married”
Título sugerido: “Procura-se Um Lexotan Desesperadamente”

Jenny Lumet, filha de Sidney Lumet, dá asas à imaginação e comprova o mito elementar da evolução humana. O roteiro da filha é um desbunde pro pai, e o resultado com a formidável direção do nova-iorquino Jonathan Demme e com a surpreendente performance de Anne Hathaway no papel central-porém-não-título é de deixar cicatrizes na retina.

Recém-saída pela enésima vez do antro anglo-saxão de clichês toxicômanos pós-modernos, vulgo rehab, a Kym de Anne Hathaway têm alguns dias para voltar pra casa e participar do casamento da irmã Rachel, interpretada pela estupenda Rosemarie DeWitt, antes do seu regresso à clínica. Acontece que a família de Kym já comeu o pão que diabo amassou – e exagerou no fermento – e os frangalhos sob os quais parecem viver tranquilamente vêm à tona com o retorno dela à casa.

Uma irmã normótica, um pai neurótico e uma mãe gelada conseguem parecer mais amáveis e dignos de compreensão do que o descontrole emociona de Kym no segundo round de uma insuperável tragédia familiar. Anne Hathaway acerta o tom da problemática Kym e ninguém parece apresentar características forçosas ou buscar empatia com o público. As pessoas são o que são, e a realidade delas é intragável.

Lado A: A atmosfera é o personagem principal e fala mais alto do que qualquer outro, gritante ou gritalhão
Lado B: O casamento pluricultural com direito à bateria de escola de samba é um alívio.

Resultado:

A tensão iminente causada pela pura presença de Kym é tão aflitiva que dá pra cortar com uma espátula e servir em pratinhos de plástico. Dá uma vontade absurda de imaginar um desfecho pra uma história que simplesmente não pode ter desfecho. Jonathan Demme acerta em cheio na direção de atores, apesar do descompasso na montagem do filme. Até aí, isso é culpa do estúdio e não do diretor, já que em produções dessa escala, raramente o diretor manda alguma coisa fora do set. É interessante observar como essa reunião de família tem todos os elementos visuais de estranhamento, com raças, culturas e temperamentos completamente heterogêneos, e como o desconforto silencioso de Kym fala mais alto que tudo.

Pra assistir com paciência.

Só não deixem a Rachel de lado… tadinha.

Veredicto: 4/5 jóinhas.
4/54/54/54/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

12
fev
09

“Milk – A Voz da Igualdade” (2008)

Título original: “Milk”
Título sugerido: “Leite”

Gus Van Sant está com fome de Oscar e não tem vergonha de admitir. Dirigindo o roteiro de Dustin Lance Black sobre a vida política de Harvey Milk, o mais importante nome na luta dos direitos gays americanos, Gus clama por estatuetas a todos os momentos. Quem também adora um carequinha dourado é Sean Penn, que por sua vez tampouco esconde a vontade de colher louros. Olha, fazia tempo que eu não via tanta vara junta querendo pescar prêmio – inserir piada de mau-gosto aqui.

Sean Penn vive Harvey Milk, um homem de 40 anos que vive abertamente sua homossexualidade bem longe dos holofotes numa San Francisco repressora e violenta nos anos 70. Um dia no metrô, assim, na maior, Sean Penn se atraca com James Franco e descobrimos que seus personagens têm sede de mudança. Enquanto ele grava seu testamento numa fita cassete, a cinebiografia passa pelos momentos mais importantes do casal e a lenta evolução de sua briga por direitos iguais entre gays e héteros.

De algum lugar inexplicável, surge Diego Luna, sim, o Tenoch de “E Sua Mãe Também”. Com uma atuação altamente canastricha, Diego Luna e elenco conseguem estereotipar os oprimidos e logo transformar a epopéia política num clichezão panfletário que cita inúmeras vezes a Constituição Americana e toda aquela energia “Jesus Te Ama” de “Hair”, mas sem as musiquinhas bacanas. Enfim, os tempos são difíceis, e se o mar não está pra peixe, quem dirá pra Oscar.

Fazer o quê? A isca é boa.

Lado A: Sean Penn, impecável como sempre, faz o filme assistível.
Lado B: A base documental é riquíssima e muito bem explorada.

Resultado:

A voz dos oprimidos e as grandes conquistas da humanidade sempre rendem filmes aclamadíssimos, ou que ao menos esperavam ser aclamadíssimos. “Milk” não tem nada de mais, Gus Van Sant dá um oizinho tímido em alguns planos extremamente belos e delicados, sem dizer muito a que veio. James Franco manda bem, Diego Luna está péssimo, e o resto é integralmente previsível. Talvez porque se trate de uma história verídica.

Se Sean Penn é muito bom ou se o retrato histórico é que é muito preciso, não sei se vi cinema aqui.

Agora, quem topa dizer em público que esse filme é bem do marromeno e ser taxado de homofóbico?

Alguém?

Veredicto: 3/5 jóinhas.
3/53/53/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

08
fev
09

“Ninho Vazio” (2008)

"Ninho Vazio"

Título original: “El Nido Vacío”
Título sugerido: “Recuerdos de Una Vida Ausente”

Daniel Burman é um diretor mega conceituado na Argentina. Como na Argentina conceito e densidade correm no sangue de muita gente, e todo mundo é tarado por psicanálise, imaginei que portenhos mega conceituados seriam capazes de apresentar com qualidade a intimidade da psique humana sem excessos. Com Cecilia Roth e Oscar Martínez como o casal central, Daniel Burman alcança a grandeza que dele seria esperada.

Leonardo é um escritor de meia-idade, num casamento estável, agradável e sem grande atrito aparente com a esposa, Martha. Depois de mais um jantar com toda a turma de amigos de faculdade de Martha, Leonardo se sente deslocado pela mediocridade alheia e incomodado por ser envolvido na nostalgia de uma história que não viveu. Puxando de lado um amigo psiquiatra pra conversar, vem à tona justamente o estudo sobre memórias fabricadas, e a sensação de recordar aquilo que não foi vivido.

Chegando em casa, Leonardo começa a anotar idéias para um novo romance, e assiste lentamente ao passar do tempo e à saída dos filhos de casa. Para rejuvenescer sua rotina, Martha resolve voltar à faculdade que largou para cuidar da família, e assume uma vida festiva de reuniões intermináveis e festas no apartamento do casal, para o incômodo silencioso de Leonardo, que por sua vez passa a se tornar um observador deste mundo que não mais lhe diz respeito e encontra a poesia que faltava em sua vida no olhar de uma bela auxiliar de dentista.

É Buenos Aires, queijos, vinhos, placidez e ambigüidade passiva no ar, mis amores.

Lado A: A transposição do estilo literário do personagem central na direção de Burman é magnífica.
Lado B: Jazz. Jazz fantástico e falsamente incidental caracterizam a rotina de maneira libertadora.

Resultado:

Será preciso muita maturidade e anos de bagagem nas costas para compreender a fundo alguns dos pontos sensíveis do âmago de cada personagem; eis um filme de gente grande. A percepção de Leonardo é extremamente instigante, e os desencontros do casal são representados com a naturalidade da vida mundana, sem dramatismos inoportunos. Além de planos deslumbrantes e uma precisão muito sutil para as transições e passagens de cena, Burman capta na devida proporção as variáveis emocionais da vida a dois, e das tentativas para quebrar o gesso.

Primazia portenha, che!

Veredicto: 4/5 jóinhas.
4/54/54/54/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

06
fev
09

“Dúvida” (2008)

Título original: “Doubt”
Título sugerido: “A Boa E Velha Igreja”

Que belo feito de John Patrick Shanley conseguir adaptar sua peça de teatro homônima e assinar roteiro e direção da versão cinematográfica… Este drama clérico sobre ordem, moral e as opostas facetas do bem-fazer vem com toda a pompa, peso e credibilidade que os atores Phillip-Seymour Hoffman e Meryl Streep têm poder de trazer ao projeto.

Streep vive a inefável e atroz Irmã Aloysius, diretora de um colégio católico americano em 1964. Menos óbvia que sua fé é sua astúcia, ao questionar com as irmãs do convento um enigmático sermão do Padre Flynn, papel de Seymour Hoffman. Nele, o Padre discorre sobre o poder e a força da dúvida, cerne indiscutível da grande questão de fé. Tal poder e tal força despertariam na Irmã um olhar mais apurado sobre o dia-a-dia na escola e a dura relação de autoridade e catecismo com os alunos de ginásio.

Entra em cena a cordeira Irmã James, interpretada por Amy Adams, uma professora doce e caridosa que segue à risca as inspirações bíblicas de zelo, bondade e compaixão. Orientada por Irmã Aloysius, Irmã James é incumbida de um papel moralmente dúbio: ficar alerta para possíveis anti-Cristos. Como toda boa polêmica envolvendo nossos amigos padres, seus coroinhas e taças de vinho cerimonial, a cara do capeta se aproxima aos poucos. Bote no mix a fragilidade do coroinha Donald, o primeiro aluno negro da escola em tempos de segregação.

Jesus, meu filho… nos seus dias era docinho

Lado A: Meryl Streep e Phillip Seymour-Hoffman na mesma cena.
Lado B: A Igreja é que está em cheque, e não a ladainha bíblica.

Resultado:

A retratação dos bastidores da vida clérica é de uma proximidade mundana formidável, e o filme consegue ser crítico sem apontar dedos e sem pragmatismo. Não se fala em Bíblia, não se fala em Jesus e não se fala em religião. Se fala sobre valores, a mudança dos tempos, as várias faces de uma verdade, e de preconceitos sociais sem embelezamento nem hipocrisia. Um dos maiores tabus da cultura ocidental é encarado de frente sem jamais ser nominado, e as meias-palavras do roteiro geram rebuliços homéricos pra qualquer bom entendedor.

As freiras vão ficar putas, mas os simpatizantes antropológicos delas podem até convidar uma pra tomar um chá.

Sem açúcar.

Resultado: 5/5 jóinhas.
5/55/55/55/55/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

01
fev
09

“O Leitor” (2008)

"O Leitor"

Título original: “The Reader”
Título sugerido: “Holocaustos da Paixão”

Do mesmo diretor de “As Horas” e “Billy Elliott”, esta adaptação do romance alemão “Der Vorleser”, de Bernard Schlink, aborda com sutileza admirável a era pós-nazismo na Alemanha, fugindo de panfletagens e chutes no saco. Stephen Baldry é um diretor finíssimo, e não é à toa.

No final da década de 50, o adolescente Michael passa mal na volta da escola, e vomita copiosamente debaixo de uma tempestade idílica. Ele é socorrido por uma senhora austera e maternal, e volta para casa com uma bela de uma peste bubônica e orientaçã médica de passar meses de cama.

O jovem Michael é interpretado por David Kross, e a senhora de bronqueza germânica inigualável é ninguëm mais ninguém menos do que Kate Winslet! Mon dieu, como o tempo passa. Depois de curado, Michael resolve ir visitá-la para agradecer e levar flores, mas quem acaba levando é ela. E levando muito.

Apaixonada pelos livros que Michael lhe lê, Hannah esconde um segredo que poderá por em cheque o resto da vida dos dois.

Lado A: Kate Winslet está um fe-nômeno nesse papel.
Lado B: A nudez é essencial como linguagem, e é presente como um belo artifício.

Resultado:

Não é fácil destrinchar a beleza desse filme sem revelar pontos importantíssimos da história para quem ainda não o viu. Stephen Baldry consegue conduzir uma sinfonia harmônica cinematográfica, com uma história séria, contundente, de muita tristeza e poesia. A delicadeza com que o filme aborda o amor inocente e o fardo da culpa imperdoável é de tocar a alma.

A única coisa que me incomodou é que Kate Winslet como uma senhora vinte anos mais velha do que Ralph Fiennes é forçar a amizade. Sem contar que o pouco conhecido David Kross rouba a cena dos dois veteranos.

Pra quem não liga pra esse tipo de coisa: vá, chore… e leia.

Resultado: 4/5 jóinhas.
4/54/54/54/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

30
jan
09

“Gran Torino” (2008)

Título original: “Gran Torino”
Título sugerido: “Vôzão É Mau”

Clint Eastwood está emputecido por ter ficado de fora das escolhas da Academia na premiação de 2009. Como se algum filme precisasse de Oscar pra se validar como um bom trabalho… Enfim, Clint dirigiu, produziu e estrelou uma história de Nick Schenk e Dave Johannson, notavelmente filmado em locação, no Estado americano de Michigan.

Clint é Walt Kowalski, um mecânico aposentado e veterano da guerra contra a Coréia. Ranzinza, rabugento e incrédulo, Walt encontra dificuldade em aceitar a passagem do tempo e a mudança de valores, e percebe, após a morte da esposa, que sua relação com seus filhos e netos é mais um produto de tradição do que de afeto. Apegado apenas à sua labradora Daisy, cigarros e cervejas, Walt só falta morrer de desgosto ao perceber que seus novos vizinhos são justamente… coreanos.

O jovem vizinho Thao já percebe o racismo de Walt na lata, então resolve manter sua rotina reclusa e pacífica, se esquivando das investidas dos seus primos gangsters. Num exemplo grotesco de darwinismo social, Thao acaba sendo coagido por eles a roubar o mais precioso tesouro de Walt: seu Gran Torino.

Isso é um carro, de acordo com o Google.

Lado A: A questão de valores e velhice é abordada no tom certo.
Lado A: O choque cultural entre Walt e os vizinhos é uma experiência bacana de se observar.

Resultado:

Clint Eastwood tem razão para ficar chateado: “Gran Torino” é um filme com alma, sensibilidade, e possivelmente uma das últimas chances de retratar contemporaneamente a dor e a dureza dos homens dos anos dourados de forma tão clara. É uma história sobre solidão, remorso e arrependimento, com um elenco muito fraco, porém carismático.

Sem dúvida alguma, só Clint Eastwood consegue interpretar um bad boy aos 78, num personagem igualmente amável e desprezível em suas grosseiras sutilezas.

Um filme muito bonito, mas preciso concordar com a Academia.

Sorry, Clint.

Veredicto: 3/5 jóinhas.
3/53/53/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

29
jan
09

“Quem Quer Ser Um Milionário?” (2008)

Título original: “Slumdog Millionaire”
Título sugerido: “Está Certo Disso?”

“Trainspotting” é um bom filme. “Extermínio” também; o diretor inglês Danny Boyle tem um faro único pra tratar a indignidade e o caos. Talvez fosse questão de tempo, maturidade ou sorte pra que ele apurasse esse faro e passeasse longe da esfera anglo-saxã de dramas humanos. A adaptação de Simon Beaufoy do premiado livro “Q & A” do indiano Vikas Swarup foi sem dúvida o catalizador olfativo final para ele.

A premissa do filme parece trivial: um garoto sem estudos participa do “Show do Milhão” indiano. Jamal é estigmatizado por ser um slumdog, que no português cultural do Brasil se traduz como uma luva como “favelado”. À medida que ele avança na disputa do prêmio, ele sofre retaliações e preconceito de investigadores que o acusam de ignorância e fraude.

Sua trajetória pergunta a pergunta lhe faz lembrar de passagens marcantes de sua infância e de seu crescimento ao lado do irmão Salim como um menino de rua nas favelas de Bombaim. As memórias de Jamal tecem uma teia magnífica de sua história de sofrimento, abandono, e amor por Latika, a menina com quem ele aprendeu a sorrir à deriva.

Entre dinheiro e esperança, o game show é o que menos importa.

Lado A: A edição rápida e trilha de pop indiano nos situam numa Índia verossímil e iconoclasta.
Lado B: Os atores mirins merecem aplausos de pé.

Resultado:

Talvez a grande sacada de toda a atenção que este filme vem recebendo em festivais e premiações seja mais simples do que parece: existem histórias muito mais fascinantes em lugares do mundo onde a Europa não fincou suas garras. O equilíbrio cultural entre um diretor inglês, uma realidade indiana e uma angústia universal faz de “Quem Quer Ser Um Milionário?” uma obra prima sobre a significância da memória, do amor, da dor e da resiliência.

Uma pérola no lamaçal.

Veredicto: 5/5 jóinhas.
5/55/55/55/55/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

28
jan
09

“Antes Que O Diabo Saiba Que Você Está Morto” (2007)

"Antes Que O Diabo Saiba Que Você Está Morto"

Título original: “Before The Devil Knows You’re Dead”
Título sugerido: “Lá No Morro A Gente Não Deixa”

Gostaria de começar esse post puxando uma salva de palmas pro roteirista americano Kelly Masterson. Kelly, pra alguém que tem nome de mulher, seus roteiros são muito machos! Adicione na mistura uma direção nada senil do octagenário Sidney Lumet e você tem aí o policial familiar mais macarrônico dos últimos tempos. Já dizia o ditado irlandês: “Que você passe meia hora no paraíso, antes que o diabo saiba que você está morto”.

O digníssimo Phillip Seymour Hoffman e o proparoxítono Ethan Hawke vivem os irmãos Andy e Hank, respectivamente. Acostumados ao bem bom desde pequenos, os irmãos percebem só lá pelos quarenta que não tiveram o melhor dos tinos pra dinheiro. Fudidos, mal-pagos e cheio de contas pra acertar, eles entram em comum acordo na maior cagada da história: assaltar a joalheria dos pais e livrar a barra deles com a grana do seguro.

Marisa Tomei interpreta Gina, com duas sílabas só porque a terceira é redundância. Casada com Andy, Gina percebe o distanciamento do marido e dá indícios de sua insatisfação. Acontece que a partir da catástrofe do assalto mais zicado do mundo, a história entra num modo de convulsão cronológica e os pontos-de-vista de todos os personagens descascam sem piedade as verdades mais truculentas de cada um.

Lado A: Andy e Gina recauchutando o casamento no Rio de Janeiro é mara.
Lado B: Carter Burwell, compositor do filme, trilha aqui uma obra-prima.

Resultado:

De “Pulp Fiction” pra cá, muitos roteiros e diretores tentaram explorar com o mesmo impacto a não-linearidade absoluta como estratégia de surpresa. Alguns fazem um trabalho soberbo como “Amnésia”, e outros simplesmente cagam no pau, tipo “21 Gramas”. Aqui, a desordem não é gratuita ou ingênua, e a sensação que a narrativa passa é a de um interrogatório de alguém em pânico, que vai lembrando de detalhes cada vez mais agoniantes à medida que repete a história na sua cabeça.

O elenco está afiadíssimo, a carga dramática é uma tonelada, e é impossível não roer as unhas. Não sei se eu sou catastrófico demais, mas na completude da história, pra mim, faltou aquele touché.

Que esse diabo nunca te encontre!

Veredicto: 4/5 jóinhas.
4/54/54/54/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

27
jan
09

“Nação Fast Food” (2006)

"Nação Fast Food"

Título original: “Fast Food Nation”
Título sugerido: “Comendo Merda”

Richard Linklater, o diretor por trás do cult favorito “Waking Life”, assina a adaptação para o cinema do livro investigativo de Eric Schlosser sobre a faceta cruel e grotesca dos bastidores da indústria frigorífica americana. Com um elenco esdrúxulo que embaralha e descarta nomes como Greg Kinnear, Bruce Willis, Patricia Arquette, Wilmer Valderrama, Kris Kristofferson, Ethan Hawke, Paul Dano e Avril Lavigne, a história dá seus pulos malucos rumo à mensagem central.

Greg Kinnear, o pai pentelho de “Little Miss Sunshine”, interpreta o clássico engravatado americano a quem não foi ensinado o lado podre do sistema. Responsável pelo alter-ego do Big Mac na fictícia rede de fast-food Mickey’s, Greg Kinnear é enviado por seu chefe para o interior do Colorado para investigar a presença de coliformes fecais na carne comprada pelo maior frigorífico de lá. Wilmer Valderrama vive um pobre mexicano que cruza a fronteira americana ilegalmente com sua tchurma, Patricia Arquette faz uma ponta simpática como a mãe de uma adolescente poliano-subversiva funcionária do Mickey’s, Bruce Willis faz uma pontinha como o pau-chefe do frigorífico, e Avril Lavigne estraga completamente as poucas cenas em que aparece.

Greg Kinnear chega na cidade e descobre que a maioria dos funcionários do frigorífico é de imigrantes mexicanos que não falam picas de inglês e são mal-tratados, humilhados, abusados e viciados pelos gringos do rolê. A indignação com a nojeira e a sujeira da indústria frigorífica é o elo em comum entre os personagens, e suas visões conformistas ou revolucionárias sobre o assunto une suas histórias de maneira sutil, porém ideológica. Algo no esquema “o hambúrguer que você compra paga o salário do adolescente que cospe na sua comida porque odeia o chefe que odeia o frigorífico que odeia os mexicanos que se submetem aos americanos que compram o hambúrguer…” – até dar náuseas e ânsia de vômito.

Lado A: Patricia Arquette e Ethan Hawke têm uma estranha química em cena; funciona bem.
Lado B: Avril Lavigne consegue ser pior que Caio Blat em papel de jovem revolucionária. HA!

Resultado:

Esta é uma obra que não deve ser procurada nem/ou julgada a partir do seu critério cinematográfico, ficcional ou dramático. Trata-se de um discurso elaborado e reducionista sobre a sordidez da grande máquina americana e a desgraça dos bastidores da indústria alimentícia. Volta e meia as dúvidas e conflitos de um personagem ou outro dão um nó ou dois no coração, mas o próprio diretor se perdeu em meio às críticas e acabou por abrandar algumas acusações sérias pelo excesso dramático.

Porra, Avril Lavigne não!

No fim das contas, é uma dose de realidade não recomendada para os fracos de coração, e um desafio traumático aos apreciadores de hambúrguer e carnes em geral.

Eca.

Resultado: 3/5 jóinhas.
3/53/53/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

17
jan
09

“O Curioso Caso de Benjamin Button” (2008)

"O Curioso Caso de Benjamin Button"

Título original: “The Curious Case of Benjamin Button”
Título sugerido: “Da Fralda… À Fralda”

Adaptações de qualquer coisa para o cinema já são em si uma cobrança de fidelidade, de originalidade, de visão, interpretação, e apropriação. É por isso que eu, pessoalmente, prefiro muito mais as adaptações livres, onde não existe a necessidade de ser fiel a nomes, fatos, personagens e passagens de uma obra. Este é o caso com a adaptação do conto homônimo de F. Scott Fitzgerald, publicado originalmente em 1921. A versão que chega aos cinemas é do roteirista Eric Roth, e do diretor americano David Fincher.

Na noite seguinte ao término da Primeira Grande Guerra, uma mulher morre no parto, num bairro de New Orleans. Ao ver o recém-nascido, o horror do pai é tamanho que ele toma o bebê nos braços e sai correndo pela cidade desesperado para livrar-se dele. O bebê acaba sendo deixado nos degraus de um asilo, e algum tempo depois, se tornaria um Brad Pitt completamente decrépito, com uma figura de noventa e poucos anos, e o coração de um menino de dois.

A história da vida de Benjamin é contada com suas próprias palavras, lidas de um diário para uma velhinha em leito de morte por sua filha. Criado por uma jovem mãe negra na companhia dos inúmeros idosos do asilo, Benjamin adquire uma percepção de vida e morte às avessas, e à medida que vai rejuvenescendo, começa a sentir o peso de lidar com seus sonhos e suas saudades. Ainda menino, de bengalas e rugas, conhece a pequena Daisy, cujos olhos azuis ele jura jamais ter esquecido. Caberá a ele a paciência de aguardar a passagem dos anos para que possam se encontrar no meio do caminho.

Lado A: Os efeitos visuais de velhice e juventude são de dar nós na cabeça.
Lado B: Aparições de Tilda Swinton; sempre bem-vindas.

Resultado:

Com toda a pompa e grandiosidade das centenas de milhões de dólares, este poderia ter facilmente se tornado um discurso arrogante, prepotente, ou pior, conformista e alienante. Mas não, todo o teor monumental deste projeto ficou nos bastidores, pois o que chega na tela não tem sequer uma gota de exagero, apelação ou afronta ao senso crítico. Todos os detalhes desta obra alcançam juntos e com sincronicidade, uma harmonia belíssima entre dúvidas e sensações sobre o passar do tempo e o término de uma vida. Cate Blanchett se entrega numa performance memorável, Brad Pitt já pode aceitar seu lugar entre os melhores atores da história do cinema, e o resto do elenco não peca sequer uma vez.

Um filme magnífico, com uma alma que nem Hollywood é capaz de tirar.

Uma obra-prima industrial.

Veredicto: 5/5 jóinhas.
5/55/55/55/55/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

16
jan
09

“Em Busca da Terra do Nunca” (2004)

Título original: “Finding Neverland”
Título sugerido: “Os Garotos da Minha Vida”

O diretor suíço Marc Forster foi presenteado com um pepinão ao receber o OK para produzir o filme sobre a história de J.M. Barrie, o escocês que criou Peter Pan. Com um screenplay de David Magee, baseado na peça “O Homem Que Era Peter Pan” de Allan Knee, Forster aceitou o desafio de levar ao grande público a delicadíssima história de um famoso homem de entretenimento que passa tempo demais brincando com garotinhos.

Sim… é inevitável não pensar nele. AU!

Johnny Depp vive Barrie, um escritor de peças de teatro num momento em que sua aceitação pela crítica não anda lá aquelas coisas. Um dia, num parque, ele encontra um gracioso garotinho escondido embaixo de seu banco, brincando de caubói e bandido. Não demora para que seus três irmãos venham se apresentar, e levar um pito de sua mãe, Kate Winslet. Johnny Depp, um homem casado, e Kate Winslet, uma viúva, se aproximam. Portanto, como todo mundo naquela época era extremamente pau no cu, a amizade entre os dois e o afeto genuíno de Johnny pelos garotos passam a ser alvo de críticas absurdas.

A esposa de J.M. Barrie não aceita muito bem seu jeito meio Michael de ser - pronto, falei - e isso acaba os afastando mais, à medida que ele começa a passar mais e mais tempo brincando e soltando a imaginação com os pequenos órfãos de pai, e conquistando a empatia e admiração de Kate Winslet. A história se foca mais na ligação polêmica de J.M. Barrie com os garotos, e em especial com o pequeno muso-inspirador Peter, numa performance mirim de arrepiar do pequeno Freddie Highmore.

Dustin Hoffman também está no elenco, não me pergunte porquê.

Lado A: Johnny Depp e Kate Winslet são uma combinação de aquecer o coração.
Lado B: O pequeno Peter é de longe a melhor coisa deste filme.

Resultado:

É refrescante assistir à uma história que teria tudo para ser uma daquelas cinebiografias longas e insuportáveis, e na verdade retrata apenas uma passagem marcante da vida de um ícone histórico. “Em Busca da Terra do Nunca” não floreia e nem força a barra tanto quanto poderia, e traz à tona uma postura interessante de um homem que não entendia o processo instantâneo e indefinido da perda da infância. Apesar de não demonstrar grande ousadia ou embasbacar o espectador, Marc Forster alcança uma leveza notável e muito precisa na direção do romance.

De arrancar pelo menos uma lágrima de quem já se sentiu um menino perdido.

Veredicto: 4/5 jóinhas.
4/54/54/54/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.

15
jan
09

“Stardust – O Mistério da Estrela”

Título original: “Stardust”
Título sugerido: “Harry Nárnia & As Bruxas de Eastwick”

O autor inglês Neil Gailman tinha em mente um romance de fantasia diferente ao escrever “Stardust” – um híbrido de Tolkien com Irmãos Grimm. Na adaptação para o cinema nove anos mais tarde, a Paramount aposta de novo na Inglaterra na escolha do diretor, Matthew Vaughn, e viaja na maionese ao chamar um elenco 90% americano com sotaques britânicos forçados. Tudo bem.

Era uma vez, no século XIX, uma terra mágica fronteiriça à Inglaterra: a terra de Faerie. A única coisa que separa este país do mundo humano é um grande muro de pedra guardado por um velho porteiro: ninguém entra, e ninguém sai. Por essas e outras, a cidade humana onde se passa a história chama-se Vila do Muro. Lá, um jovem apaixonado promete uma flor mágica a sua amada e consegue tapear o guarda e cruzar o muro até o mercado mágico. Chegando lá, se encanta por uma princesa-escrava, e da maneira mais família possível, este filme com fortíssimo apelo infantil sugere que eles mandaram bronca a noite inteira.

Nove meses depois, o velho porteiro do muro leva uma cesta à casa do humano, com um bebê. Na cesta, uma carta da mãe desejando o melhor para o filho e dizendo que ela não poderia cruzar o muro. Dezessete anos se passam, e o bebê Tristan cresce para se tornar um jovem abobalhado tipos Peter Parker e todo-cagado tipos Harry Potter. Tristan se apaixona por Victoria, e lhe promete uma estrela como prova de seu amor. Enquanto isso, no reino mágico, a família real fantasmagórica e de humor ácido entra num dilema quanto à sucessão do trono com a morte do velho Rei. Os sete irmãos, um deles Rupert Everett, diga-se de passagem, começam a se matar, literalmente, na busca do trono. Como todo conto de fadas, o velho Rei avisa que uma estrela cairá do céu com a coroa do novo rei: a estrela cai, é interpretada por Claire Danes, e precisa urgente fugir da malévola Michelle Pfeifer e as outras bruxas decrépitas que buscam seu coração em troco da vida eterna e botox mágico vitalício.

É… É tipo isso…

Lado A: Michelle Pfeifer não demonstrava tanto tesão em fazer uma vilã desde sua lendária Mulher Gato.
Lado B: A ponta de Robert de Niro como um pirata estilista dos ares é impagável.

Resultado:

Jesus! Essa história é praticamente a compilação Frankenstênica dos sonhos mais mirabolantes e criativos de Neil Gailman. A mitologia e as peculiaridades desse universo mágico são infinitamente mais divertidas do que as dos títulos similares dos últimos tempos. É preciso ter em mente que se trata de um filme voltado para o público juvenil, e que os grandes mistérios do desfecho podem ser adivinhados na primeira dica que os personagens dão, e coisa e tal. O bacana é que mesmo com essa limitação de profundidade, o filme se mantém fiel a seu propósito e não pára um único instante sua poderosa máquina de imaginação.

Um clássico-gracinha para os fãs do gênero de fantasia e contos de fadas.

Sem dúvida, a melhor pedida num dia de ressaca, gripe, dengue ou suspeita de dengue.

Veredicto: 4/5 jóinhas.
4/54/54/54/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.




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