17
fev
09

“O Lutador” (2008)

Título original: “The Wrestler”
Título sugerido: “Carneiro de Deus”

Também sai pérola do lixo; do submundo da luta-livre americana e de toda a subcultura dos subprodutos white trash americanos, surge uma história impressionante. Com roteiro de Robert D. Siegel e direção e produção do mesmo Darren Aronofsky de “Requiem Para Um Sonho”, “O Lutador” ganha o sopro de vida de três nomes famosos que já lidaram de perto com o fracasso: Marisa Tomei, Evan Rachel Wood… e Mickey Rourke.

Numa tradução bem porca, o fictício ícone da luta livre dos anos 80, Robin Ramzinski, conhecido como “THE RAM”, é chamado de Randy “O CARNEIRO” Robinson, e tão rápido quanto nos créditos de abertura, vinte anos passam num piscar de olhos. Pra começo de conversa Mickey Rourke já merece um Oscar por adequação física brutal e absoluta para o papel: é indubitável que o cara sabe exatamente do que ele tá falando. Jogue na salada Evan Rachel Wood como uma adolescente mega enfurecida e Marisa Tomei mostrando teta pra caralho, sem trocadilhos, e você tem aí um plat du jour só com as especialidades da casa.

Randy coleciona os louros de sua carreira com cheiro de verniz, e acaba se tornando uma paródia de si mesmo na luta para continuar sobrevivendo com um pingo de dignidade. Vivendo uma vida medíocre sem tirar o pé do acelerador, não demora para ele se perceber velho, caído, sem o amor da filha, e apaixonado por uma stripper. A grande honra do cara? Não reclamar. É a união da dor física com a dor emocional e a resistência às restrições e sacanagens da vida que fazem do personagem de Mickey Rourke um marco na história dos dramas de herói.

Lado A: Marisa Tomei deliciosamente soberba.
Lado B: Mickey Rourke no ringue é de tirar o fôlego.

Resultado:

Fosse pelo próprio “Requiem Para Um Sonho” ou por algum feeling do poster com o Mickey Rourke, aqui se consagra a noção, o bom senso e o tato de Darren Aronofsky. A idéia de ir além da abordagem costumeira da vida medíocre e degradada passando pela rotina e valorizando os lampejos das almas apagadas é maravilhosa. Tudo condiz com tudo, o filme realmente mostra a que veio, e foge como o diabo da cruz de tudo que é previsível, careta ou batido em filmes de herói. A trilha sonora é de um bom gosto mais do que cabível, as seqüências de luta fantásticas, e mais importante de tudo: a alma sensível e transparente de um ogro em decadência.

De deixar o resto na lona.

Veredicto: 5/5 jóinhas.
5/55/55/55/55/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.


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