Arquivo de 16 fevereiro, 2009

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“O Casamento de Rachel” (2008)

Título original: “Rachel Getting Married”
Título sugerido: “Procura-se Um Lexotan Desesperadamente”

Jenny Lumet, filha de Sidney Lumet, dá asas à imaginação e comprova o mito elementar da evolução humana. O roteiro da filha é um desbunde pro pai, e o resultado com a formidável direção do nova-iorquino Jonathan Demme e com a surpreendente performance de Anne Hathaway no papel central-porém-não-título é de deixar cicatrizes na retina.

Recém-saída pela enésima vez do antro anglo-saxão de clichês toxicômanos pós-modernos, vulgo rehab, a Kym de Anne Hathaway têm alguns dias para voltar pra casa e participar do casamento da irmã Rachel, interpretada pela estupenda Rosemarie DeWitt, antes do seu regresso à clínica. Acontece que a família de Kym já comeu o pão que diabo amassou – e exagerou no fermento – e os frangalhos sob os quais parecem viver tranquilamente vêm à tona com o retorno dela à casa.

Uma irmã normótica, um pai neurótico e uma mãe gelada conseguem parecer mais amáveis e dignos de compreensão do que o descontrole emociona de Kym no segundo round de uma insuperável tragédia familiar. Anne Hathaway acerta o tom da problemática Kym e ninguém parece apresentar características forçosas ou buscar empatia com o público. As pessoas são o que são, e a realidade delas é intragável.

Lado A: A atmosfera é o personagem principal e fala mais alto do que qualquer outro, gritante ou gritalhão
Lado B: O casamento pluricultural com direito à bateria de escola de samba é um alívio.

Resultado:

A tensão iminente causada pela pura presença de Kym é tão aflitiva que dá pra cortar com uma espátula e servir em pratinhos de plástico. Dá uma vontade absurda de imaginar um desfecho pra uma história que simplesmente não pode ter desfecho. Jonathan Demme acerta em cheio na direção de atores, apesar do descompasso na montagem do filme. Até aí, isso é culpa do estúdio e não do diretor, já que em produções dessa escala, raramente o diretor manda alguma coisa fora do set. É interessante observar como essa reunião de família tem todos os elementos visuais de estranhamento, com raças, culturas e temperamentos completamente heterogêneos, e como o desconforto silencioso de Kym fala mais alto que tudo.

Pra assistir com paciência.

Só não deixem a Rachel de lado… tadinha.

Veredicto: 4/5 jóinhas.
4/54/54/54/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.




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