
Título original: “Milk”
Título sugerido: “Leite”
Gus Van Sant está com fome de Oscar e não tem vergonha de admitir. Dirigindo o roteiro de Dustin Lance Black sobre a vida política de Harvey Milk, o mais importante nome na luta dos direitos gays americanos, Gus clama por estatuetas a todos os momentos. Quem também adora um carequinha dourado é Sean Penn, que por sua vez tampouco esconde a vontade de colher louros. Olha, fazia tempo que eu não via tanta vara junta querendo pescar prêmio – inserir piada de mau-gosto aqui.
Sean Penn vive Harvey Milk, um homem de 40 anos que vive abertamente sua homossexualidade bem longe dos holofotes numa San Francisco repressora e violenta nos anos 70. Um dia no metrô, assim, na maior, Sean Penn se atraca com James Franco e descobrimos que seus personagens têm sede de mudança. Enquanto ele grava seu testamento numa fita cassete, a cinebiografia passa pelos momentos mais importantes do casal e a lenta evolução de sua briga por direitos iguais entre gays e héteros.
De algum lugar inexplicável, surge Diego Luna, sim, o Tenoch de “E Sua Mãe Também”. Com uma atuação altamente canastricha, Diego Luna e elenco conseguem estereotipar os oprimidos e logo transformar a epopéia política num clichezão panfletário que cita inúmeras vezes a Constituição Americana e toda aquela energia “Jesus Te Ama” de “Hair”, mas sem as musiquinhas bacanas. Enfim, os tempos são difíceis, e se o mar não está pra peixe, quem dirá pra Oscar.
Fazer o quê? A isca é boa.
Lado A: Sean Penn, impecável como sempre, faz o filme assistível.
Lado B: A base documental é riquíssima e muito bem explorada.
Resultado:
A voz dos oprimidos e as grandes conquistas da humanidade sempre rendem filmes aclamadíssimos, ou que ao menos esperavam ser aclamadíssimos. “Milk” não tem nada de mais, Gus Van Sant dá um oizinho tímido em alguns planos extremamente belos e delicados, sem dizer muito a que veio. James Franco manda bem, Diego Luna está péssimo, e o resto é integralmente previsível. Talvez porque se trate de uma história verídica.
Se Sean Penn é muito bom ou se o retrato histórico é que é muito preciso, não sei se vi cinema aqui.
Agora, quem topa dizer em público que esse filme é bem do marromeno e ser taxado de homofóbico?
Alguém?
Veredicto: 3/5 jóinhas.
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Yours truly,
Woody Tarantovar.