Arquivo de 4 fevereiro, 2009

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“Um Amor Quase Perfeito” (2001)

"Um Amor Quase Perfeito"

Título original: “Le Fate Ignoranti”
Título sugerido: “A Gaiola das Ressentidas”

Tudo bem que “As Fadas Ignorantes” não teria lá grande apelo comercial em português, mas “Um Amor Quase Perfeito” é uma péssima tradução livre para esse filme do turco-italiano Ferzan Özpetek. Premiado no circuito gay de cinema internacional, este drama sobre luto e a redescoberta do ser amado tem a seu favor uma série de belas atuações e uma trama de personalidade.

Tranquilamente casada por 15 anos, a médica infectologista Antonia é acometida pela morte brusca de seu marido, o galanteador e meio viado Massimo. Sem ao menos ter tempo de processar o trágico fim de seu marido, Antonia descobre um bilhete íntimo num presente que havia sido dado para ele em seu escritório. Decidida a conversar com essa amante a qualquer custo, Antonia começa uma busca sucinta e quase anti-climática, até, pelo paradeiro da mulher: ela briga com uma secretária… e descobre o endereço!

Chegando num cortiço, Antonia descobre que o misterioso amor de Massimo responde por Signora Mancini, ou se preferir; Michele. Ao se apresentar como esposa do falecido Massimo, Antonia é muito da mal-recebida e ainda tem que ouvir os despautérios da louca. Essa mágoa inicial entre Antonia e Michele se mostra enraizada na amargura pela morte de Massimo, e um laço inesperado surge da falta que sentem dele.

Só pra constar, Signora Mancini é um mal-entendido da vizinha do prédio, e na Itália, Michele é nome de homem.

Toma essa, Antonia.

Lado A: Margherita Buy é a cara da Marta Suplicy, mas mais incrível que isso só a firme presença da atriz italiana.
Lado B: Enigmática e bem-construída a sugestão de que quem ama de verdade é de um ceticismo inabalável.

Resultado:

O filme começa com cara de vídeo erótico B de TV a cabo na madrugada, passa por seqüências folhetinescas e leva um tempinho até se encontrar e colocar as asinhas de fora. Dá pra perceber a todo momento como essa história é de um caráter muito pessoal e quiçá apoteótico para o diretor Ferzan Özpetek; todos aqueles fragmentos de um inconsciente atribulado estão presentes.

A história caminha de maneira sutil, sensata e triste, como o coração de Antonia. Clichês e babaquice são brevemente anunciados para depois serem astutamente descartados. Özpetek dá um olé aqui, outro olé ali, para sugerir, de maneira sublime, uma reflexão sentimental muito íntima sobre sua forma de encarar a vida.

Talvez não cause impacto em muita gente, mas é um trabalho cuidadoso e digno de ser apreciado.

Veredicto: 3/5 jóinhas.
3/53/53/5

Yours truly,
Woody Tarantovar.




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