
Título original: “Frozen River”
Título sugerido: “Inverno Na Alma”
A diretora estreante Courtney Hunt assina roteiro e direção neste drama glacial sobre maternidade, pobreza e segregação cultural. A veterana Melissa Leo encabeça o pequeno elenco, no papel de uma mãe abandonada pelo marido e deixada às traças com dívidas, dúvidas, valores arruinados e hipotecas. Misty Upham divide a tela com Melissa no papel de Lila, a representante da tribo dos Moicanos, mas longe de ser a última.
A balconista Ray Eddie vive como pode com sua família no interior norte do estado de Nova York, próximo às reservas indígenas e à fronteira canadense. Viciado em bingo, seu marido não pensa duas vezes antes de levar todas as economias da família embora e bater cartela mundo afora, deixando Ray para lutar sozinha pela sobrevivência da família e pela educação dos dois filhos; um adolescente maduro demais para sua idade e um garotinho de cinco anos que não deixa esfriar coração de mãe alguma.
Às vésperas de perder a casa mais espaçosa que prometera aos filhos, Ray encontra o carro do marido num bingo indígena, e segue a desgramada que o dirige. Após adentrar a reserva dos Moicanos, Ray descobre que Lila, ladra do carro, nunca conheceu seu marido. Numa empacação de sobrevivência mútua e movidas pela ferocidade materna, as duas começam de imediato a ir no sangue da outra e Ray acaba sendo persuadida por Lila a entrar no contrabando na fronteira canadense. O problema é que, pela estrada, é impossível fugir da polícia.
Felizmente, o grande rio que separa os países permanece congelado.
Lado A: Poucos dramas conseguem acertar a mão na depicção do frio como personagem crucial da trama.
Lado B: Ray & Lila deixam Thelma & Louise parecendo reclamonas destrambelhadas.
Resultado:
Faz frio o filme inteiro, por todo o filme, em cada cena, em cada olhar. Na trilha, na foto, no cenário, nas lágrimas, na angústia. Melissa Leo é a escolha absoluta e indiscutível para o papel, e o jovem Charlie McDermott arranca surpresas no papel do filho adolescente de Ray. Pelo viés da maternidade, Courtney Hunt guia essa história de ilegalidade, desespero e abandono numa solidão dilacerante, num compasso que parece estar milhas além da melancolia.
Assino este post com o coração abaixo de zero.
Veredicto: 5/5 jóinhas.
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Yours truly,
Woody Tarantovar.







